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riscos_e_rabiscos

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Enganada.

 

Ia eu para a escolinha tão feliz e contente mentira!, fervendo de calor, a saltitar com a malinha na mão em direcção à paragem do autocarro, quando este passa e me ignora totalmente. Coloquei a minha malinha no banco da paragem e sentei-me ao seu lado, muito sugadita com as minhas mãos, de unhas pintadas de rosa, nos joelhos.

 

Finalmente, chega um outro autocarro. Entrei e sentei-me no único lugar existente no autocarro: ao fundo, no meio da putalhada que vinha na escola. Lá gramei com umas pitas histéricas, umas músicas de telemóvel estranhíssimas e vozes esganiçadas de miúdos a caminho de serem homens.

 

Até que olhei para o lado. Iaics! Qué isto? Estou a ver bem? Estavam duas miúdas aos beijos na boca uma com a outra! Mas uma coisa super intensa. Eram daqueles beijos que iam às profundezas do ser, daqueles que dá para fazer um exame completo à garganra e gengivas, daqueles que até fazem lavagens estomacais.

O homenzinho que ia sentado ao meu lado não conseguia afastar os olhos dali. E eu que não sou de ficar com os olhos pregados em "coisas incomuns" de se ver, ainda dei uma ou duas espreitadelas pelo canto do olho.

 

Entretanto mudei de lugar para me sentar à sombra - já tinha a moleirinha esturricada - onde fiquei até chegar à última paragem. Saí sem pressas e foi aí que constatei que afinal...

ela era ele!!!!*

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* fui muita bem enganada!